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Uns e Outros |
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| Gravado no Rio de Janeiro/RJ 1989 |
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NOTÍCIAS DO
LESTE
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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Senti o vento soprar
Em quase todas as direções
E de toda parte vinham
Sorrisos de alívio a muito silenciados
Eles dançaram a noite inteira
Como crianças
Livre do Pesadelo
A liberdade soprou no leste
A liberdade soprou no leste
As algemas se quebrarram
E agora os dias não são
Tão cinzas como eram antes
E do outro lado do muro
Cabeças se erguem e mãos se levantam
Cantando enfim a queda
Das estátuas de bronze
Rasgando a mordaça
Prá escrever com sangue
A palavra proibida
Vida
O terceiro milênio
A terceira idade
O Sol da manhã arde
Como eterno desejo de liberdade
EU RIO
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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O Rio acorda em festa
E festa aqui é todo dia
E o intelectual na sua janela
Olha a linda geografia
O Pão de Açucar, O Corcovado
Tudo em Harmonia
E o surfista desce a onda
Em meio a esgoto e maresia
Eu sou Ipanema e a garota
bronzeada
Também a Lapa e a prostituta desdentada
O Rio acorda cedo
Porque o tranco é todo dia
E a média mata a fome
No boteco da esquina
Tumulto na estação
O trem foi apedrejado
O corpo no trilho
Do surfista ferroviário
Eu sou o samba e o Morro do
São Carlos
A bossa nova e o turista assaltado
Em fevereiro tem
carnaval
Vamos sambar prá gringo
Viver então de fantasia
Enquanto Minha escola desfila
SPIRIT OF THE
JUNGLE
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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Agora eu passeio entre cinzas
Meus olhos ardem e me faltam os pulmões
O que restou então do espírito da selva?
Aberta a golpes de machado e ambição
E eu vi o verde se abrindo em
clareiras
E tua vida sendo posta a leilão
Ouvi teu grito surdo, ecos de agonia
Enquanto vermes recontavam seus milhões
Cinzas, fumaça e carvão
E era o inferno
Como eu temia em sonhos
Como se me roubassem o ar...
Enquanto a moto serra
Cravava os dentes sem piedade
Em sua imaculada carne
Spirit of the jungle
Spirit of the jungle man
AUSÊNCIA
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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Mal rompe a manhã
E há traços de sol pelo chão
Lembranças e lágrimas
E nos meus lábios
O beijo amargo, a única verdade
Ausência
O que aconteceu depois?
Sua imagem chega como num filme
"Passam por mim gestos e fatos...
como eram seus cabelos, o seu rosto
cada uma de suas feições?" ***
Mal rompe a manhã
e há traços de sol pelo chão
Lembrança e lágrimas
e nos meus lábios
O gosto amargo, a única verdade
Ausência...
....Voce chorou perante o espelho?
*** (Trecho da Peça " Valsa Nr.6" de Nelson Rodrigues)
CANÇÃO EM VOLTA
DO FOGO
Marcelo Hayena e Cal Galvão
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Se o amor então se cansou
Durma, que a lua eu vigio
Se o céu te parece ruir em pedaços de vidro
Dançaremos em volta do fogo
Subiremos com a maré
E amanheceremos de novo
Se o nosso olhar se perder
Em horizontes tão estranhos
E o mundo insistir em girar
como numa ciranda
Deixaremos as luzes acesas
E abriremos as portas da casa
Para termos então a certeza...
Que toda a noite será
Eterna como num sonho
Que insistimos em ter
Então durma, durma
Que o dia nao demora a sangrar
Com o canto do primeiro galo
Então durma, durma
Que o dia não demora a sangrar
Quando o primeiro galo cantar
OLHOS DE JAMES
JEAN
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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Meus olhos vêem
Mas custo a acreditar
Que se vá!
A única certeza que eu tinha
Como se eu tivesse...
Entre prédios tão altos
E carros tão rápidos
Mais rápidos que eu
Não quero mais
Ser triste como o olhar
De James Dean
Perdido entre tantas mentiras
Mesmo que o mundo possa
Ruir em pedaços
Não vou catar o cacos
Prá recomeçar
Vultos que vem e vão
E passa em frente da minha janela
Como faróis
Outra vez e outra vez mais... mais e mais
ANJO NEGRO
Marcelo, Cal, Nilo, Jonathas
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O que eu sentia era tão certo
Tão perto dos meus pesadelos
Um anjo negro acorrentado
Entregue ao próprio desespero
E quantas vezes eu crie
Prá não me sentir só
Tentando me iludir mas
Tudo cai ao meu redor
O que eu queria era tão
simples
Que o mundo inteiro caberia
Como um bebê em nossos braços
E acalmaria sua ira...
Não sei o que me faz
Sentir assim tão incapaz
E os planos que traçei
Parecem não servirem mais
O CHEIRO
Marcelo, Cal, Paulo George
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Há um cheiro estranho
Que se confunde com a gente
Há um cheiro estranho
Que se mistura entre nós
Não adianta escovar os dentes
Não adianta se perfumar
O cheiro é do lugar
Às vezes sinto náuseas
Por vezes eu me sinto parte
Do nojo coletivo
Somente pelo fato de estar vivo
Não adianta desodorante
Não adianta você se lavar
O cheiro é do lugar
Ele não desce com a lama do
morro
E não exala da roupa do povo
Por mais que se limpe a bunda
Por mais que se tape o nariz
O cheiro é do lugar
A rede de esgotos
A fome nas bocas
O fedor do mangue
As elites escrotas
O lixo nas casas
A miséria da Pátria
Há um cheiro estranho
Em nossas estranhas
O cheiro é do país
EM NOME DA FÉ
Marcelo, Cal, Nilo, Ronaldo
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Declararam o cessar fogo
Quanto tempo ainda vamos viver
Porque é de dentro das trincheiras
Que se vê o sol nascer
Eles se matam em nome da fé
Eles se matam em nome da fé
Eles se matam em nome da fé
Em nome da fé
Vida e morte dão as mãos
E fica fácil de entender
Como a crença de um homem
Basta pra ele morrer
Eles se matam em nome da fé
Eles se matam em nome da fé
Eles se matam em nome da fé
Em nome da fé
A PENA
INPLACÁVEL
Marcelo, Cal, Bruno Golveia
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Me perdoe
Eu não queria ser assim
Me perdoe
Eu não queria ferir seus ouvidos
Escuta agora esta canção que eu fiz
Prá te levar ao suicídio
Eu já nem sei quantos dias e
noites
Você passou em claro
Me perseguindo com sua pena implacável
Mas tudo bem
Eu não estou longe de ser criticado
Mas pense bem
Quanto trabalho e tempo desperdiçados
Ano que vem volto e faço tudo ao contrário
Me perdoe
Eu não queria ser assim
Me perdoe
Bem que eu queria ser seu protegido
Talvez eu seja o melhor do ano
Se eu for seu melhor amigo
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